Défice de Atenção e Hiperatividade (DAH) - A importância da medicação!

Metilfenidato

(Nomes comerciais: Concerta – Ritalina LA – Rubifen)

O nome químico da Ritalina é Metilfenidato. De resto, existem outros nomes comerciais para a mesma substância como “Concerta” ou “Rubifen”. Por isso, neste texto usamos a designação farmacológica genérica.

O Metilfenidato começou a ser usado no tratamento do défice de atenção nos EUA há mais de 60 anos. É por isso uma substância largamente experimentada, cuja segurança é atestada por milhões de crianças a quem foi administrada. O Metilfenidato é, provavelmente, o medicamento com ação sobre o Sistema Nervoso das crianças melhor estudado. O medicamento é usado sobretudo em crianças em idade escolar, mas é eficaz em todas as idades, incluindo adultos e crianças em idade pré-escolar.

Diferentes partes do cérebro exercem diferentes funções, como uma empresa bem organizada. Acontece que cada secção usa uma linguagem própria, isto é, as células responsáveis por certa tarefa utilizam para comunicar entre si uma determinada substância. A zona do cérebro responsável pela atenção, e capacidade de antecipar consequências e organizar tarefas, (lobos frontais), usa uma substância química chamada Dopamina. As crianças com défice de atenção têm uma relativa diminuição da Dopamina. O que o Metilfenidato faz é repor valores normais de Dopamina, para que as células responsáveis pela concentração possam funcionar. No fundo a situação não é muito diferente da diabetes. Os diabéticos têm níveis baixos de uma hormona, a insulina, que é importante para que as células se alimentem. Por isso, é lhes administrada Insulina adicional.

 

O Metilfenidato é comprovadamente a forma mais eficaz de tratar o défice de atenção. O seu sucesso é muito alto, atingindo 80% de bons resultados. Note-se, contudo, que 2 em cada 10 crianças não respondem ao medicamento. Nesses casos, é legítimo rever o diagnóstico. Métodos de intervenção psicológica muitas vezes são úteis complementos do medicamento, mas pouco eficazes quando utilizados isoladamente. De notar que não é rara a associação do défice de atenção a outras alterações do comportamento, como sejam conduta de oposição e desafio. Esses problemas necessitam de um cuidado e tratamento específico.

Existem diferentes formas comerciais do medicamento. O Rubifen tem 4 horas de ação, enquanto a Ritalina LA tem 8 e o Concerta 12 horas. A Ritalina LA tem a vantagem de o conteúdo da cápsula poder ser disperso em água, leite, compota ou outro alimento desde que não muito quente. É também consideravelmente mais barato que o Concerta, que tem a vantagem não desprezível de ter uma ação mais longa, cobrindo também o período entre o fim das aulas e o jantar. O início do efeito é após cerca de 20 minutos após a administração para qualquer das formulações. O médico pondera todos estes fatores na escolha da formulação mais adequada ao seu paciente.

Não há necessidade de suspender o medicamento durante o fim-de-semana ou as férias, embora possa haver circunstâncias em que o médico opte pela paragem do remédio nesses períodos.

O medicamento pode ser suspenso em qualquer altura sem necessidade de desmame. A criança simplesmente volta ao estado anterior.

Uma vez utilizado, deverá ser mantido enquanto for necessário, isto é, enquanto persistirem as queixas que levaram ao seu uso. Todos os anos o medicamento é suspenso por um período para se verificar se persiste o défice de atenção. Se ele se mantiver, o medicamento é reiniciado.

Qualquer medicamento tem efeitos acessórios potenciais. O Metilfenidato é um medicamento extremamente seguro, com décadas de utilização em milhões de crianças. Muitas pessoas ficam preocupadas ao ler a bula do medicamento com o número e variedade de potenciais consequências do medicamento. Contudo, é necessário perceber que muitas delas são extremamente raras, e que a associação de outras ao Metilfenidato não é segura, mas tem que ser registada por razões legais. A diminuição do apetite é uma consequência frequente do Metilfenidato. Por esse motivo, o peso deve ser medido com regularidade. Há formas de combater a perda de peso, assegurando pelo menos duas boas refeições, ao pequeno-almoço e ao jantar, quando a ação do medicamento não está presente. Dependendo da hora da administração também pode haver alguma dificuldade em adormecer. Algumas crianças poderão ficar excessivamente sonolentas outras mais “excitadas”. A modificação da dose diminui estes sintomas. As dores de cabeça e dores abdominais não são raras na primeira ou segunda semana, mas habitualmente não são muito intensas e não obrigam à suspensão do medicamento. Qualquer medicamento pode ser causa de alergia e o Metilfenidato não é exceção. Não existem, a longo prazo, consequências nefastas que possam ser atribuídas de forma segura ao medicamento. Não é claro se este diminui o crescimento das crianças. Alguns estudos parecem apontar para que o tamanho em adultos das crianças com e sem Metilfenidato seja semelhante. Também parece que as crianças com défice de atenção tendem a ter uma puberdade mais tardia, pelo que durante um período podem ser mais baixas que a maioria dos seus colegas. A relação entre o Metilfenidato e o aparecimento de tiques não é clara. Não é raro surgirem tiques em crianças a tomar o Metilfenidato, embora seja possível que estes não sejam provocados pelo medicamento, já que os tiques são comuns em rapazes com défice de atenção.   

O medicamento pode ser tomado com a maior parte dos remédios comuns, (antibióticos, analgésicos, antipiréticos), mas deve ser suspenso no dia de uma anestesia geral.

Quando se pensa em efeitos acessórios, não devemos esquecer quais as implicações de um défice de atenção não tratado. Já dissemos que a utilização abusiva de drogas duplica, mas também os acidentes triplicam, o número de divórcios dos pais aumenta entre três a cinco vezes, e nas raparigas o risco de gravidez não planeada aumenta cerca de 20 vezes, para não falar já no cortejo de consequências do insucesso escolar. É neste contexto de avaliação do risco/benefício que a medicação deve ser encarada.

Muita gente interroga-se sobre o potencial abuso do medicamento. O problema, contudo, não é a administração excessiva do remédio, mas sim o esquecimento de o tomar, por crianças com défice de atenção. É verdade que jovens com perturbação de hiperatividade e défice de atençãotêm uma maior incidência de problemas de abuso de drogas e dificuldades legais, mas está largamente demonstrado que quando eficazmente tratados, a incidência desses problemas é reduzida. Tal não é de admirar, dado que as crianças não tratadas têm muitas vezes marcada baixa da autoestima, o que pode ser invertido com o manejo adequado do problema.

Algumas pessoas pensam que o medicamento se destina a tornar mais fácil a vida de quem lida com as crianças hiperativas. Tal não é verdade, as crianças com défice de atenção sofrem consequências extremamente sérias, e privá-las de um tratamento eficaz é tão grave quanto medicar em excesso. De resto, deve-se considerar o medicamento um parceiro de outras intervenções, nomeadamente psicológicas, que se tornam mais eficazes em crianças corretamente medicadas.

A “net” tem numerosos “sites” com informação distorcida ou até falsa e enganadora. Alguns desses “sites” são financiados por empresas concorrentes das que produzem o Metilfenidato. É preciso ter em atenção que o que vem na “net” não é avaliado por profissionais ou especialistas da matéria. Procure os “sites” de entidades acreditadas, como associações de profissionais ou famílias.

Todas as pessoas que tomam remédios diariamente necessitam de vigilância médica regular. A periodicidade ideal das visitas é de 4 em 4 meses, no mínimo duas vezes por ano. Poderá ser prudente a realização de análises de 6 em 6 meses. Lembre o seu médico se ele não o fizer. O “Concerta” deverá ser tomado a seguir ao pequeno-almoço SEM mastigar. O “Concerta” NÃO  é divisível. A cápsula de Ritalina LApoderá ser aberta e o medicamento misturado com alimentos. 

 

Atomoxetina

(Nome comercial: Strattera)

Trata-se de um medicamento não-estimulante.

O neurotransmissor sobre o qual exerce a sua função é a noradrenalina alterando menos a concentração de dopamina. Dessa forma, o mecanismo de ação é diferente do Metilfenidato.

O risco de abuso com Atomoxetina é menor do que com o Metilfenidato (embora com este último o risco seja exclusivo das formulações de ação rápida e administrados de forma não convencional, isto é injetado ou administrado intranasal de forma a aumentar a rapidez de absorção).

Os efeitos positivos não são imediatamente visíveis podendo demorar até um mês para se ver o efeito máximo.

Tal como o Metilfenidato pode ser suspenso sem necessidade de "desmame".

A opinião generalizada é de que a eficácia da Atomoxetina é menor do que a do Metilfenidato e, como tal, reservada para casos em que o Metilfenidato esteja contraindicado. Também é, de momento um medicamento mais caro.

Os efeitos acessórios mais comuns incluem diminuição do apetite, insónia, fadiga, náuseas e secura de boca.

É preciso estar atento a alterações do humor porque poderão ser marcadas.

Tal como com o Metilfenidato é necessário lembrar que a medicação é apenas um dos instrumentos no tratamento do défice de atenção, devendo ser utilizado a par de outras intervenções não-farmacológicas.

 

Clonidina

(Nome comercial: Catapresan)

Não é um medicamento de primira escolha no défice de atenção mas pode ser útil em crianças que também têm tiques ou com insónia, dado ter um efeito sedativo.

A clonidina é utilizada sobretudo para tratar a hipertensão arterial pelo que um dos efeitos acessórios possíveis é a hipotensão. Dado o efeito sedativo e a possibilidade da hipotensão, é habitualmente administrada à noite.

É necessária monitorização cardiovascular.

A clonidina pode também ser útil quando existem episódios de desregulação com agressividade.

 

Fonte: www.dah-a.com

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